Gergin Ginecologia

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segunda-feira, 13 de março de 2017

Endometriose suas teorias e a adolescência

Olá pessoal, 

Mais um texto sobre endometriose. Este sobre endometriose e adolescência e um pouco mais sobre as teorias sobre a endometriose.  Vamos lá?

Quem está acompanhando os posts aqui do blog e também das outras redes este mês já aprendeu o que é endometriose, certo? Só lembrando... é uma doença em que tecido endometrial ( que reveste internamente o útero) se gruda em outros locais causando inflamação. 

 A quantidade de mulheres que têm endometriose na população geral não é conhecida ao certo. As estimativas variam dependendo da população estudada ( com sintomas ou assintomáticas) e do método de diagnóstico (clínico ou cirúrgico). 


Fiquem atentas a esses números. São assutadores!!!
A doença foi relatada em 25 a 38 % das adolescentes com dor pélvica crônica

E 47% daquelas com dor pélvica crônica que se submetem a videolaparoscopia A ocorrência de endometriose entre as adolescentes submetidas à videolaparoscopia para dor pélvica que não melhorou com pílulas anticoncepcionais orais e  analgésicos anti-inflamatórios(AINEs) é de 50 a 70 %.

Dois terços das mulheres adultas com endometriose relatam que seus sintomas começaram antes dos 20 anos de idade. 

Embora antes se acreditasse que endometriose se manifesta apenas após muitos anos de menstruação, isso era incorreto: casos sintomáticos foram documentados antes da menarca - primeira menstruação da vida- em meninas que têm algum desenvolvimento mamário, e outras logo após a menarca.

Algumas adolescentes podem ter uma predisposição genética para desenvolver endometriose. Isso tem sido mostrado em alguns estudos. 

Como eu também venho escrevendo e falando durante este mês. Muitas teorias têm sido propostas para explicar a causa da endometriose. Nenhuma teoria explica todos os casos, mas todas as teorias ajudam a explicar alguns aspectos da doença. Isso não é diferente para as adolescentes. 



Algumas teorias são propostas:


● A teoria da implantação ou da menstruação retrógrada sugere que o tecido endometrial do útero é derramado durante a menstruação e transportado através das trompas de Falópio, obtendo acesso e grudando nas estruturas pélvicas.
Esta teoria é apoiada pela observação de que a endometriose ocorre mais comumente nas áreas próximas ao útero, como trompas, ovários, bexiga e intestino, além do peritôneo - revestimento da barriga por dentro. 

Além disso, as malformações congênitas obstrutivas do trato genital feminino, ou seja, quando a menina nasce com uma malformação no útero ou colo do útero ou vagina e quando começa a menstruar nem todo o sangue menstrual que é formado consegue sair, fica preso, o que aumenta o fluxo retrógrado. Deu para entender ou ficou confuso?😬 

Essas condições têm sido associadas à endometriose na população adolescente!
A correção cirúrgica deste tipo de anomalia obstrutiva faz parte do tratamento da endometriose nesses casos, que felizmente são raros. 

● A endometriose em locais fora da pelve poderia ser explicada pela disseminação de células endometriais ou tecido através de vasos linfáticos e vasos sanguíneos.

● A teoria da metaplasia celômica propõe que existem células indiferenciadas capazes de se transformar em tecido endometrial em lugares diversos do corpo. 

● A teoria de transplante direto é a provável explicação para a endometriose que se desenvolve em episiotomia e outras cicatrizes cirúrgicas.

● A teoria da imunidade celular, que é a hipótese proposta mais recentemente, sugere que uma deficiência na imunidade celular permite que apareça tecido endometriótico.


 Por isso, é importante que todos valorizem as queixas nesta faixa etária para que possamos fazer diagnóstico  e início do tratamento o mais rápido possível. Se você, sua amiga adolescente, sua filha, neta ou qualquer mulher do seu circulo de relacionamentos reclama de cólicas todos os meses, tente achar espaço em uma conversa para sugerir que ela procure a ginecologista, que ela leia um pouco sobre endometriose, busque ajuda!

Atualmente e especialmente em adolescentes ginecologistas estão autorizados a iniciar tratamento apenas com diagnóstico clínico, não é preciso esperar exames específicos e muito menos fazer cirurgia para começar a cuidar nessas pacientes. 

Esse arsenal de exames e cirurgia será necessário se o tratamento hormonal proposto inicialmente falhar. 
O mais importante é manter controles regulares dessas meninas, para que possamos manter sua qualidade de vida e sua fertilidade para quando e se quiserem ter filhos no futuro!

Grande abraço




sexta-feira, 3 de março de 2017

ENDOMETRIOSE: "Precisamos falar sobre ela"

Pessoal, 


Boa tarde!!!

Por conta do mês da mulher que é também o mês mundial da conscientização sobre endometriose. Dei uma pausa nos posts sobre sangramento uterino anormal e este mês vamos falar só de endometriose por aqui e também no instagram e facebook. 

Hoje eu escrevi aqui um texto falando um pouco da definição, causas, sintomas e tratamento, um apanhado geral. Ao longo do mês, todos os dias teremos pequenos posts com outras dicas e informações no insta e face. 

Vamos lá?


A endometriose é uma condição em que o tecido, semelhante ao tecido que normalmente cresce dentro do útero, também cresce fora do útero. O tecido dentro do útero é chamado de "endométrio" e o tecido fora do útero é chamado de "endometriose". Os lugares mais comuns onde ocorre a endometriose são os ovários, as trompas de falópio, o intestino e as áreas na frente, nas costas e nos lados do útero.



Algumas mulheres com endometriose têm poucos ou nenhuns sintomas, enquanto outras têm dor leve ou até incapacitante com ou sem dificuldade em engravidar. Não há cura para a endometriose, mas existem várias opções de tratamento. O melhor tratamento depende da sua situação individual. Ou seja, é preciso uma boa avaliação com a ginecologista para individualizar seu caso, de acordo com sua idade, sintomas, desejo gestacional, entre outros fatores.

CAUSAS
A causa da endometriose não é conhecida. Uma teoria comum é que algum sangue menstrual e endométrio retorna através das trompas de Falópio e para a pelve durante um período menstrual. Este tecido então gruda e se desenvolve de forma errada nesses locais. Isso é chamado de teoria da menstruação retrógrada. Existem várias outras teorias e há muita pesquisa mundo a fora para encontrar uma causa definitiva.





SINTOMAS

 Algumas mulheres com endometriose não apresentam sintomas. O sintoma mais comum é dor na área pélvica, especialmente durante a menstruação.


Dor - A dor pélvica causada pela endometriose pode ocorrer:

● Pouco antes ou durante o período menstrual. Em algumas mulheres, os períodos dolorosos pioram ao longo do tempo.
● Entre os períodos menstruais, com dor que piora durante o período
● Durante ou após o sexo
● Com as evacuações ou  ao urinar, especialmente durante o período, se a endometriose estiver acometendo o intestino e/ou trato urinário.
A dor pélvica pode ser causada por muitas outras condições, incluindo contrações dos músculos do assoalho pélvico, infecções pélvicas e síndrome do intestino irritável. Por isso, é muito importante que procure a ginecologista para avaliação, só com a avaliação médica em consulta será possível investigar e descobrir se sua dor é causada por endometriose ou outro problema.


Endometriose causa infertilidade?

A endometriose pode tornar mais difícil engravidar. Isso pode ocorrer porque endometriose pode provocar aderências dentro da barriga, que são como cicatrizes internas que modificam a forma normal dos órgãos e seu funcionamento adequado.  Podendo danificar os ovários ou trompas de Falópio. Mesmo as mulheres com endometriose que não têm tecido cicatricial podem ter dificuldade em engravidar. E não se sabe ao certo o motivo, existem estudos avaliando possíveis alterações imunológicas, entre outras.

Nas mulheres que engravidam, a endometriose não prejudica a gravidez. Os sintomas da endometriose muitas vezes melhoram após a gravidez.

Endometriomas (cistos de chocolate) - As mulheres com endometriose podem desenvolver cistos ovarianos que contenham endometriose. São chamados de endometrioma. Endometriomas são geralmente preenchidos com sangue antigo que se assemelha a calda de chocolate.

DIAGNÓSTICO:

O diagnóstico começa na suspeita clínica baseada nos sintomas que a mulher conta e exame físico. No entanto, a única maneira de saber com certeza se você tem endometriose é realizar cirurgia para biopsia do tecido anormal. Felizmente hoje, mesmo sem um diagnóstico de certeza absoluta através de cirurgia, com uma boa consulta médica e exames de imagem como ultrassonografia pélvica com preparo intestinal ou ressonância, já podemos considerar o diagnóstico e iniciar tratamento clínico. E se houver necessidade de cirurgia como parte do tratamento, aí sim, operamos!




A endometriose é considerada leve, moderada ou grave, dependendo do que é encontrado no exame de toque, exames de imagem e cirurgia.

 Mulheres com doença leve podem ter sintomas graves, e as mulheres com doença grave podem ter sintomas leves. Falei sobre isso em uma postagem do instagram, passa lá para ver!



TRATAMENTO:

 Existem várias opções de tratamento para mulheres com endometriose:

● Antiinflamatórios não esteróides e outros analgésicos que  buscam controlar a dor mas não controlam a evolução da doença.
● Medicações hormonais anticoncepcionais com bloqueio ou não da menstruação.
● Outras formas de tratamento hormonal, como os análogos de GnRh que provocam uma menopausa temporária.
● Cirurgia, preferivelmente por via robótica ou videolaparoscopia convencional.




Além disso tudo, sempre fará parte da consulta médica dessas mulheres orientar sobre mudança no estilo de vida:

  • Melhora dos hábitos alimentares
  • Prática regular de atividade física
  • Tudo isso para se manter em peso corporal adequado para sua altura. 
  • Atividades que ajudem no gerenciamento do estresse, como hobbies, meditação, etc.

Muitas dessas mulheres sofrem com dores por longos períodos, anos até, então é muito importante que a ginecologista proponha um acompanhamento psicológico em conjunto com o tratamento médico. O tratamento da endometriose deve ser multiprofissional, com a ginecologista como líder desse time. Pode envolver nutricionista, psicólogo, psiquiatra, médicos especializados em tratar dor, cirurgiões coloproctologistas, urologistas, fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico, entre outros. 

É preciso acolher da melhor maneira possível essas mulheres. E uma das melhores maneiras de fazer isso é conhecer sobre o assunto, divulgar entre amigas, colegas, familiares e os homens também. Porque essas mulheres tem sua vida afetada em casa, na escola e no trabalho com parceiros, pais, amigos, chefes, colegas de trabalho. Quanto mais os homens ao nosso redor souberem sobre a doença menos preconceito, mais empatia e mais diagnósticos precoces com resultados de tratamento mais eficientes!

Vem comigo nesta divulgação?

Espero que tenham gostado!!

Grande abraço e um final de semana de muita luz!!! 

Bárbara Murayama




quinta-feira, 2 de março de 2017

Cartilha da Endometriose

Pessoal,


Este é o Mês Mundial da Conscientização sobre a Endometriose.

Falarei muito sobre isso por aqui e nas demais redes sociais.


Para começarmos, um texto que escrevi para o blog do Hospital 9 de Julho e o link para a cartilha que fizemos com muita informação de qualidade sobre a Endometriose.

Espero que gostem!!
Se gostarem curtam, compartilhem! Porque educar as pessoas em geral sobre a doença é a melhor maneira de fazermos diagnósticos mais rápidos!!

Segue o link e boa leitura!!!

Grande abraço! Um dia de luz para todos!!!

Bárbara Murayama

bit.ly/2lY7IuZ






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Adenomiose e é carnaval!!!

Pessoal, 

Preparados para carnaval?

Carnaval é tempo de festa, mas nem por isso precisa perder toda a noção e voltar doente ou machucada, né?

Para quem vai para a folia não esqueça de se hidratar, alimentar bem e usar preservativo!!!

 As doenças sexualmente transmissíveis estão a todo vapor! Melhor previnir!! HIV, sífilis, herpes, HPV, gonorréia, clamídia, tricomonas, hepatites, entre outras....e não pense que acontecem só com pessoas de classes socio-culturais desfavorecidas, porque acontecem com qualquer um que se exponha. Independente de raça, credo, orientação sexual. Sexo é uma delícia e com responsabilidade pode ficar melhor ainda!! Use camisinha inclusive para sexo oral, ok?

Aos rapazes, respeito é bom e as mulheres gostam! Nada de forçar beijo e muito menos sexo! Sexo que a mulher não consentiu é estupro sim, mesmo se for sua esposa, namorada ou "peguete"! Então vamos procurar nos relacionar com quem quer se relacionar com gente! E meninas, caso sofram abuso, procurem ajuda médica imediatamente para que as prevenções possam ser feitas em tempo hábil. E denunciem também!!! Não é culpa sua, independente da sua roupa ou comportamento! 

Mas seguindo o cronograma do blog, hoje está previsto escrever sobre esta doença que pode ter como um dos sintomas sangramento uterino anormal...Adenomiose!! Vamos lá....


O que é a adenomiose uterina? 


 É uma doença que causa períodos menstruais com maior fluxo de sangue ​​e dolorosos nas mulheres. Em pacientes com adenomiose uterina, o útero costuma ser maior que o normal e o miométrio(camada muscular do útero) costuma aparecer alterado em exames de ultrassonografia e ressonância. Isso acontece porque o tecido parecido com o que que normalmente fica dentro do útero e se descama durante a menstruação, o endométrio, começa a crescer dentro das paredes do útero de forma errada.



Adenomiose frequentemente acontece junto com outros problemas que afetam as mulheres, especialmente endometriose e miomas. 

Por que é importante falar sobre adenomiose?

A frequencia de adenomiose nas mulheres não foi determinada com precisão, uma vez que o diagnóstico só pode ser feito com certeza por exame microscópico do útero, tipicamente após histerectomia. Mas estima-se que afete cerca de  20% das mulheres, em um outro estudo esse achado chegou a 65%. 

 Até recentemente, a adenomiose era apenas diagnosticada no momento da histerectomia. A maioria dos estudos sugere que as mulheres submetidas a histerectomia( retirada do útero) para a adenomiose estão nos últimos anos antes da menopausa. No entanto, isso resulta em uma falta de informações sobre os estágios iniciais da doença. Estudos que utilizam imagens pélvicas, em vez de histerectomia, para o diagnóstico sugerem que a adenomiose pode ser encontrada inclusive em adolescentes.

Além disso, o fato de que a adenomiose coexiste com outras doenças uterinas, principalmente miomas uterinos e endometriose, contribui para as lacunas na compreensão desta doença. 

Quais as causas da doença? Como ela se forma?

 As causas exatas da adenomiose não são conhecidas.

 As principais teorias são que ela se desenvolve a partir de infiltração do endométrio (camada interna do útero) no miométrio (camada muscular, onde acontece a doença)  ou que a pessoa já nasça com focos de endométrio no meio do miométrio, o que seria um defeito no desenvolvimento do embrião. 
Também há uma linha de pesquisa relacionando processos biomoleculares diferentes no tecido doente em relação ao tecido endometrial normal.

Os hormônios estrogênio e progesterona parecem desempenhar um papel na formação da adenomiose, como ocorre em outras doenças ginecológicas Esta conclusão é principalmente pensada a partir da resposta positiva dos sintomas aos tratamentos hormonais. 

Finalmente, outras teorias sugerem que hormônios como a prolactina e hormônio folículo estimulante (FSH), que têm efeitos uterinos diretos, também podem ter papéis na formação desta doença, sem nada ainda muito conclusivo. 

Ou seja, há ainda muito a ser estudado para uma definição precisa das causas. 


Quais são os sintomas da adenomiose?

● Aumento do fluxo menstrual tanto em quantidade de sangue quanto em dias de sangramento.
● Períodos dolorosos e esta dor pode acontecer também fora do período menstrual, em casos mais graves.
● Dificuldade para engravidar.


Quando procurar a ginecologista? 

Devemos ir pelo menos uma vez ao ano a ginecologista para avaliação de rotina desde meninas antes mesmo da primeira menstruação e a qualquer momento se apresentar menstruação com dores e mudança no padrão menstrual, ou seja, aumento de quantidade e duração. Lembram da balança do último post?



Quais exames são necessários? 

Nenhum dos exames que existem hoje pode mostrar com certeza se você tem adenomiose. Mesmo assim, existem alguns que podem ajudar a ginecologista a descobrir o que pode estar causando seus sintomas.Hoje, cada dia mais, o Ultrassom transvaginal especialmente com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve com preparos específicos têm nos ajudado a suspeitar fortemente e iniciar controle dos sintomas, sem necessidade de cirurgia alguma para diagnóstico.

 Mas nenhum exame substitui a consulta médica, a conversa sobre seus sintomas e o exame físico ginecológico completo. A partir disso, a ginecologista irá pensar em qual o melhor exame que geralmente será o ultrassom transvaginal e depois talvez uma ressonância magnética.



Como é o tratamento da adenomiose? 

É preciso pensar no desejo ou não de ter filhos dessa mulher e quais os sintomas que a estão incomodando. O único tratamento comprovado e defintivo para adenomiose é a cirurgia para remover o útero, chamado de histerectomia, que pode ser realizada via vaginal ou via abdominal através de técnicas variadas: robótica, videolaparoscopia convencional ou cirurgia aberta comum. 

Mas existem outras opções de tratamento para controle de sintomas e que tentam evitar que a doença piore, pensando em reduzir o sangramento intenso e a dor. Caso a mulher queira engravidar, é preciso investigar profundamente o casal e avaliar qual o melhor tratamento.

Dentre os tratamentos para controle dos sintomas da doença estão:

DIU medicado - Um tipo de DIU, que libera levonogestrel, hormônio da família das progesteronas, (O DIU deve ser colocado dentro do útero pela ginecologista). Tem duração de 5 anos. É uma medicação e como tal pode provocar efeitos colaterais como sangramento de escape, discreto inchaço, acne, entre outros. Portanto, é muito importante discutir tudo isso com a ginecologista antes de decidir pela colocação.

Ablação endometrial - É uma cirurgia por histeroscopia para retirada da camada interna do útero, o endométrio. Esse procedimento tem por objetivo diminuir o sangramento. Só pode ser realizado por médico histeroscopista e em mulheres que não querem mais engravidar.

Algumas vezes, podemos escolher associar o DIU medicado a ablação endometrial.


● Medicamentos analgésicos podem fazer parte do cuidado dessas mulheres para melhorar a qualidade de vida delas.
●  Anticoncepcionais e outras medicações hormonais ajudam no controle da dor, sangramento e da doença. Idealmente buscamos sempre o bloqueio da menstruação. As pílulas ou qualquer outra medicação hormonal devem ser prescritas exclusivamente pela ginecologista, nunca use medicação por conta própria!!

Hábitos de vida saudáveis sempre irão fazer parte das orientações a essas e qualquer outra mulher durante a consulta. Então, manter ou iniciar atividade física regular, hábitos alimentares saudáveis. Além de não fumar, praticar atividades que ajudem a gerenciar estresse. 

Espero ter conseguido explicar um pouco sobre essa doença ainda tão desconhecida, mas que acomete muitas mulheres e prejudica muito a qualidade de vida delas!

Um excelente carnaval de folia ou descanso a todos!!!

Grande abraço!

Bárbara Murayama







terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Informe sobre Suspensão do dispositivo Essure

Pessoal, 

Passando para um informe. Ontem no final do dia a ANVISA publicou esta nota, avisando a todos da retirada do dispositivo Essure do mercado. 


Desde sua liberação aqui no Brasil, eu sou uma das médicas ginecologistas especialistas em histeroscopia (técnica pela qual este dispositivo é colocado) mais entusiasmadas com o método. Desde a primeira vez que li um estudo sobre ele, me interessei e corri atrás de aprender mais sempre me baseando em estudos científicos de qualidade sobre o tema. 

Sempre vi muitas pacientes que haviam feito laqueadura convencional queixarem de sangramento irregular, mesmo esse sintoma nunca tendo sido comprovado como relacionado a laqueadura em estudos científicos. A laqueadura histeroscópica poderia ser a solução para isso. 

Também me encantou a possibilidade de uma laqueadura minimamente invasiva e de rápida recuperação, já que a maioria das mulheres que optam por método definitivo têm filhos e ficar de repouso pós cirúrgico é complicado. 

Realizei meu treinamento da técnica em um renomado Serviço médico da Espanha, contei sobre isso aqui. E por toda essa minha história hoje muitos colegas ginecologistas estão me escrevendo, perguntando minha opinião sobre essa suspensão. Por isso, achei importante escrever algo aqui. 

Primeiro, não tenho nenhum conflito de interesse com a empresa fabricante nem fornecedora. 
É importante que isso fique claro. 

Como funcionam os processos? Qualquer medicamento, dispositivo, material cirúrgico, etc...antes de ser liberado para uso ou prescrição médica é avaliado por órgãos competentes, no Brasil este órgão é a ANVISA. Estudos continuam sendo feitos com esses produtos após serem liberados, para acompanhar essas pacientes e entender melhor como eles agem, porque a qualquer nova situação, o posicionamento pode ser mudado.

O produto foi liberado pela Anvisa anos atrás e vem sendo utilizado e resolvendo a vida de muitas mulheres, muitas famílias no Brasil tanto no meio privado quanto no meio público. Muitos multirões pelo Brasil aconteceram e diminuíram as filas de espera para uma laqueadura convencional.

Ano passado, todos os ginecologistas receberam da empresa fabricante uma carta que falava sobre casos que estavam sendo investigados em outros países de mulheres que estavam apresentando alguns sintomas que poderiam ou não ser relacionados ao dispositivo. Sugerindo que entrássemos em contato com nossas pacientes e notificássemos qualquer sintoma. 
Entramos em contato com nossas pacientes, para avaliar se estava tudo bem e mantê-las informadas. 



Agora com esse posicionamento da ANVISA, baseado em novos estudos, cabe a nós ginecologistas suspendermos procedimentos futuros. Conversar com nossas pacientes que já fizeram o procedimento, especialmente para tranquilizá-las e nos colocarmos a disposição de qualquer questionamento ou queixa. 


Esse tipo de supensão, reavaliação pode acontecer a qualquer dispositivo, medicação ou produto médico a qualquer tempo. Que bom que os órgãos responsáveis estão fazendo seu trabalho. Porque o nosso trabalho como médicos depende disso. 

Segurança sempre em primeiro lugar!!!

A medicina, o cuidado com o ser humano está longe de ser uma ciência exata, apesar de exigir precisão todo o tempo. Esse é nosso desafio diário. 

Faz parte da nossa profissão, especialmente quando trabalhamos em grandes centros e queremos oferecer o que há de mais novo e mais moderno para nossos pacientes, que tenhamos que reavaliar condutas, tratamentos de tempos em tempos. Isso acontece o tempo todo. Por isso estudamos tanto diariamente, estamos sempre indo a congressos, conversando com colegas, trocando informações e experiências. Porque a medicina muda todo dia, novas tecnologias são descobertas, novos mecanismos do corpo humano são descobertos e fazem toda uma lógica para uma determinada doença mudar. Todo médico que se mantém atualizado vê coisas assim acontecerem algumas vezes ao longo da vida médica. Quem lê artigos científicos e vai a congressos está habituado a ver em conclusões de textos e apresentações a seguinte frase: "precisamos mais estudos sobre isso". E este é um desses casos, precisamos mais estudos. 

Então, agora é nos mantermos atentos, aguardar novos posicionamentos dos órgãos competentes, também dos serviços que publicam sobre o tema e acolher nossas pacientes de forma sincera.  

Parte muito importante do trabalho de um médico é saber gerenciar possíveis complicações relacionadas as doenças que trata e aos tratamentos que propõe, com conhecimento técnico, calma e respeito a paciente. 

Felizmente eu não tive nenhuma complicação relacionada a esta técnica até o momento, mas se tiver, cuidarei da paciente da melhor maneira possível. Esse é meu trabalho. 

E em maio haverá o Congresso Mundial de Histeroscopia, em Barcelona, pretendo estar lá e com certeza esse assunto será abordado. Contarei tudo aqui. 

Abraços
Bárbara

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sangramento uterino anormal - Introdução e Pólipos

Pessoal,


Como prometido voltei para escrever sobre sangramento aumentado!
O dia começou bem lá em casa, com Pedrinho se mostrando um rapazinho muito responsável e espertinho...coloquei lá em meu Instagram @barbara.murayama, então estou super animada para o dia de hoje 😀 !!

   Para falar de sangramento aumentado, vou mostrar uma figura clássica para nós ginecologistas que explica o ciclo menstrual de todos os pontos de vista... hormônios envolvidos, evolução do óvulo,  do endométrio - que é a camada interna do útero...Esse é o ciclo normal, de uma mulher sem anticoncepcional, na fase reprodutiva - menacme, ou seja, entre a primeira e última menstruação da sua vida. 
   Uso muito essa figura durante as consultas aqui na Clínica Gergin Ginecologia, para explicar as minhas pacientes como nosso corpo trabalha. Paciente bem orientada é mais colaborativa, acredito muito nisso!



  É muito difícil para muitas mulheres quantificar sua própria menstruação. Sempre falamos em padrão individual, mas essa tabela mostra um padrão geral aproximado de normalidade para nos basearmos quando vamos avaliar uma mulher que relata sangramento aumentado. 

  Oriento sempre minhas pacientes a anotarem o primeiro dia da menstrual, que é o primeiro dia do ciclo. E trazerem essa informação para consulta, além de se observar a cada mês para entender qual é seu padrão menstrual de dias, de fluxo, de intervalo. 
  
Conhecer nosso próprio corpo é essencial para a prevenção e diagnóstico precoce de problemas em geral. 


Mas afinal o que é considerado sangramento anormal?
Qualquer desequilíbrio dessa balança.

Pode acontecer em qualquer fase da vida da mulher. Desde as mais mocinhas...Parênteses: Amei o look da Bruna do baile Vogue de ontem!
...até as mais poderosas, sim porque dá para ser linda, maravilhosa e saudável em qualquer idade, está aí o exemplo. Arrasou Donata Meirelles!!




Alguns dados para que entendam a importância do problema:

- De acordo com um estudo brasileiro, 40% das consultas ginecológicas são por queixa de sangramento uterino anormal. 
- Cerca de 25 % dos atendimentos do pronto socorro de ginecologia que eu coordeno são por essa queixa.

         Ou seja, a grande importância é o impacto na qualidade de vida, produtividade da mulher, mas  também pensando como gestora e cidadã o aumento da utilização serviços saúde, precisa ser levado em consideração.


     Então, para que qualquer ginecologista do mundo possa falar a mesma língua, foi desenvolvida essa classificação pela Federação internacional de Ginecologia e Obstetrícia a FIGO. 




Como funciona? 

 Juntando as informações da paciente em questão passadas durante a consulta médica, exame físico, exames complementares, vamos definir a causa do sangramento. 
 Avaliamos se há alguma causa estrutural como pólipos, miomas, adenomiose ou até doenças pré- malignas do útero (hiperplasias) ou malignas do útero ou colo do útero. Se nada for encontrado, partiremos para avaliar outras doenças como problemas da coagulação, disfunções dos ovários, outros problemas endometriais, iatrogênicas que inclui sangramentos por uso de hormônios por exemplo, entre outras. 

Vamos falar um pouco de cada um desses problemas?


Pólipos


São projeção de tecido endometrial ou endocervical que podem se formar dentro do útero ou no canal endocervical.
A causa não está 100% definida, sabemos que há relação com estimulação hormonal natural ou por uso de Terapia Hormonal. Também predisposição genética, entre outros. 

A maioria deles é  benigno. Mais de 95%. 🙌

A maioria dos pólipos não causa sintomas, sendo diagnosticados em exames de rotina. 

A grande preocupação é quando eles causam sangramento anormal e acontecem em mulheres com risco aumentado para câncer de endométrio, ou seja, mulheres ao redor da menopausa, que estejam obesas, portadores de pressão alta, diabetes, entre outros. 

Após o ultrassom transvaginal ou pélvico por via abdominal em mulheres que não têm relações sexuais, o exame de Histeroscopia que visualiza o útero por dentro com uma câmera, é o melhor jeito de fazer o diagnóstico. E esse exame de histeroscopia também pode ser realizado em mulheres virgens, ok? Pois o aparelho é muito fininho e passa pelo hímen sem rompê-lo. 

A maioria dos pólipos deve ser retirado, para termos a biópsia e a certeza de não ser um câncer. 

 O tratamento é cirúrgico, o procedimento para isso é a histeroscopia cirúrgica. 

É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, de rápida recuperação e baixo risco. 

Quem tem ou teve um pólipo tem mais chances de ter  outro.

Prevenção envolve tratamento da obesidade, ou seja, reeducação alimentar para perda de peso, atividade física regular com profissional da área, controle do diabetes e pressão alta. 
 Manter rotina ginecológica em dia,visitando regularmente sua ginecologista é essencial para diagnóstico precoce de pólipos. 

No próximo post adenomiose!!!

Uma ótima sexta- feira a todos! E um final de semana de luz!!



Bárbara Murayama